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sábado, 2 de agosto de 2014

Ser Poeta... por três grandes


Ser Poeta por três grandes da língua portuguesa: Florbela Espanca, Fernando Pessoa e Manuel Bocage.

Ser poeta (ouvir)¹
(Florbela Espanca)

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!

(Charneca em flor)

Autopsicografia²
(Fernando Pessoa)



                                    
O poeta é um fingidor. 
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor 
A dor que deveras sente. 

E os que lêem o que escreve, 
Na dor lida sentem bem, 
Não as duas que ele teve, 
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda 
Gira, a entreter a razão
Esse comboio de corda 
Que se chama coração.

(Cancioneiro)

Estando enfermo um poeta
(Manuel Bocage)

Estando enfermo um poeta
Foi visitá-lo um doutor,
E em rigorosa dieta
Logo, logo o mandou pôr.
"Regule-se, coma pouco"
Diz-lhe o médico eminente.
"Ai senhor! (acode o louco)
Por isso é que estou doente."

Livro: (?)

¹ Musicada pelo grupo português Trovante com o nome de perdidamente
² Curta do site Curta Pessoa, esse é o dos poemas mais conhecido de Pessoa, com declamações gravadas por João Villaret (ouvir) e Paulo Autran (ouvir) e além de ter sido musicado por Tom Jobim (ouvir)

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