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sábado, 7 de junho de 2014

O amor em dois Poemas de Fernando Pessoa, n'outro de Camões e na Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios


Mas como causar pode seu favor,
 nos corações humanos amizade, 
se tão contrário a si é o mesmo Amor? 
- Luís Vaz de Camões


Ao Longe, ao Luar
(Fernando Pessoa)

Ao longe, ao luar, 
No rio uma vela, 
Serena a passar, 
Que é que me revela? 

Não sei, mas meu ser 
Tornou-se-me estranho, 
E eu sonho sem ver 
Os sonhos que tenho. 

Que angústia me enlaça? 
Que amor não se explica? 
É a vela que passa 
Na noite que fica. 

(Cancioneiro)

O Amor quando se revela
(Fernando Pessoa)

O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente...
Cala: parece esquecer...

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar, 
E se um olhar lhe bastasse
P'ra saber que a estão a amar!

Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe 
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar... 

(1918-1930)

Amor é fogo que arde sem se ver (ouvir)¹
(Luís Vaz de Camões)

Amor é fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
é um andar solitário entre a gente;
é nunca contentar-se de contente;
é um cuidar que ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?

(Poemas para amar o amor)

Hino à Caridade (ouvir em Italiano)²
(São Paulo,1Cor 13)

Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver caridade, sou como o bronze que soa, ou como o címbalo que retine.
Mesmo que eu tivesse o dom da profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência; mesmo que tivesse toda a fé, a ponto de transportar montanhas, se não tiver caridade, não sou nada.
Ainda que distribuísse todos os meus bens em sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, se não tiver caridade, de nada valeria!
A caridade é paciente, a caridade é bondosa. Não tem inveja. A caridade não é orgulhosa. Não é arrogante.
Nem escandalosa. Não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não guarda rancor.
Não se alegra com a injustiça, mas se rejubila com a verdade.
Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
A caridade jamais acabará. As profecias desaparecerão, o dom das línguas cessará, o dom da ciência findará.
A nossa ciência é parcial, a nossa profecia é imperfeita.
Quando chegar o que é perfeito, o imperfeito desaparecerá.
Quando eu era criança, falava como criança, pensava como criança, raciocinava como criança. Desde que me tornei homem, eliminei as coisas de criança.
Hoje vemos como por um espelho, confusamente; mas então veremos face a face. Hoje conheço em parte; mas então conhecerei totalmente, como eu sou conhecido.
Por ora subsistem a fé, a esperança e a caridade - as três. Porém, a maior delas é a caridade.

¹ Versão do poema feita pela banda de rock brasileira Legião Urbana, nessa mesma canção é mesclada algumas frases do hino à Caridade de São Paulo.
² Trecho do filme São Paulo, produzido pela Rai

Cartãs Paulinas: (Faltante)

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